domingo, 4 de setembro de 2016

#68 - "bates à porta", Carlos Nogueira Fino

bates à porta
mil vezes bates a essa porta com a voz em sangue
enquanto te encandeia a luz feroz da inocência
a iluminar-te os dedos
contra a grande incógnita da porta

o que balbucias não é ainda cântico
mas a nua lâmina onde aguardas
as primeiras estrofes ainda sem palavras

o balanço dos gonzos
o entreabrir dos lábios
o negro puro
as pupilas enormes
o remoínho ubíquo na pele e na escuridão devassada
a interrogação que lateja

quando a porta se abre
é que já pouco importa
a eternidade ficou toda e para sempre naquela pulsação
desordenada

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