segunda-feira, 15 de setembro de 2014

#26 - CATIVO O OUVIDO VEM, Ana Hatherly

Cativo o ouvido vem
buscando a união
no exílio do inteligível.

Bruscamente
eis a separação conquistada
o acontecer exacto
de pensar o não pensar
que o apetite do divino
trabalha
amplo e profundo.

O pensamento cria
e ultrapassa
o seu próprio abismo
e o desejo de ouvir
inventa
surdamente
a sua própria melodia.

sábado, 6 de setembro de 2014

#25 - "Aproxima-te.É assim que consegues encontrar", Fernando Guimarães

Aproxima-te. É assim que consegues encontrar
algumas palavras. Estão juntas. Têm um sentido
capaz de vir a acompanhar-te como se pelos dedos
escorresse um pouco de água, a sua transparência
súbita. Recebe o que elas te podem dar agora,
a respiração que fica tranquila e o mesmo aceno
só para que depois consigas compreender
como é fácil que tudo se perca nos teus olhos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

#24 - SONETILHO VELHO E ACTUAL, José Fernandes Fafe

Companheiro, ouves os choupos
gemendo mágoas de agora?
Os ventos sibilam roucos
a hora da nossa hora.

Noite de almas, noite fria...
O luar não traz mensagem...
Cada noite tem um dia.
Noite tirana, que a rasguem.

Sofro, noite... Sofre gente...
Cantam galos para o nascente...
Futuro, como nos pagas?

Pausa mais pausa é demência.
Na noite da consciência
versos só podem ser pragas!

#91 - HOMERO, Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrever o poema como um boi lavra o campo Sem que tropece no metro o pensamento Sem que nada seja reduzido ou exilado Sem que nada separ...