quinta-feira, 17 de novembro de 2016

#83 - "Todo o Verão tem a sua sombra", Fernando Jorge Fabião

Todo o Verão tem a sua sombra
a sua pequena morte
homens lentos nas adegas
(poços de frescura)
imaginam ofícios sublimes
presságios
pequenas conjuras

Todo o Verão tem o seu assombro
paisagens altas
onde principio a escrever
(num silêncio de sinos)
vocábulos escassos, dissonâncias
numa saudade de rosas e luz estilhaçada.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

#82 - "Escrever, tecer um anel", Fernando Jorge Fabião


Escrever, tecer um anel
em redor das coisas
A tinta prolonga
o sangue
consome o saber das sílabas

Com um pé na norma
e outro na errância
navego no coração do vento

Respiro no milagre
dos gestos ínfimos e graves

Faço de espanto
a regra e o sinal

Talvez adormeça
encostado ao azul
na mais pura ignorância da morte

#91 - HOMERO, Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrever o poema como um boi lavra o campo Sem que tropece no metro o pensamento Sem que nada seja reduzido ou exilado Sem que nada separ...