quarta-feira, 14 de setembro de 2016

#72 - VENDETA, Corsino Fortes

Um verso escapa
Descaradamente
Do poema que escrevo.

Um rumor longínquo
Segreda-me
Que ele espezinha
Os companheiros
Da minha caravana.

De repente
Ele projecta-se
No «écran» do meu espanto
Com garras e lábios
Manchados de sangue.

Nos meus olhos há imagens feridas.
E numa voz cortante
Blasfema

Sou a dor
       o sangue
       a vítima
Dos teus crimes impunes!
Vingo-te à minha maneira.

Renego-te
Renegado!...

Sem comentários:

Enviar um comentário

#91 - HOMERO, Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrever o poema como um boi lavra o campo Sem que tropece no metro o pensamento Sem que nada seja reduzido ou exilado Sem que nada separ...