segunda-feira, 10 de outubro de 2016

#79 - PRELÚDIO, Sidónio Muralha

A minha Poesia é uma árvore cheia de frutos
que um sol de tragédia amadurece;
mas eu não os arranco nem procuro:
-- o meu sol de tragédia aquece, aquece,
e o fruto cai de maduro.

No resto, sou empregado de escritório
que não procura desvendar abismos,
e passa o dia (glorioso ou inglório)
a somar algarismos...

A minha Poesia é uma árvore cheia de frutos
que um sol de tragédia amadurece;

mas eu não os arranco nem procuro:
-- sei a miséria da estrada percorrida;
o meu sol de tragédia aquece, aquece,

-- e o fruto cai de maduro
no chão da minha vida.

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