quarta-feira, 8 de abril de 2015

#63 - NOVA POESIA, Aguinaldo França

(Ao Amílcar Cabral)

Um dia, misteriosamente,
   A Poesia perdeu-se.
   E muita gente
   Andou por montes e vales
   Buscando-a raivosamente.

   Encostas inacessíveis
   Foram galgadas em vão,
   Gritos e mãos para os céus
   Lágrimas, sangue e suor...
   E a própria vida
   Foi também oferecida...
   Mas a Poesia estava
   Irremediavelmente perdida.

   Os homens gritaram raivas:
   -- Não sabiam que fazer...

   Mas, de cada peito contrito,
   De cada lágrima ou grito,
   De cada gesto de dor,
   De todo o sangue ou suor
   Discretamente nascia
   Uma nova Poesia.

Aguinaldo França

Sem comentários:

Enviar um comentário

#91 - HOMERO, Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrever o poema como um boi lavra o campo Sem que tropece no metro o pensamento Sem que nada seja reduzido ou exilado Sem que nada separ...